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Uma carta póstuma ao meu pai
Seu Francisco, seu Chico, há quanto tempo não nos falamos. O senhor no dia 14 de março de 2014, chegou de suas vendas habituais de doces na porta da escola, Entregou a minha mãe um determinado valor. Almoçou, e eu fui limpar a garagem. E, após o almoço, o senhor fora se deitar, se engasgou com uma crise de epilepsia, que há muito não tinha. Mas, naquela tarde, fora o dia do seu chamado, e seu neto me avisou, Subi correndo, e a mãe do quarto já gritou que o senhor estava indo. Foi, difícil lembrar de um telefone, e aos bombeiros liguei, O duro que devido aos trotes que levam nossos anjos da guarda materiais: Bombeiros e Policiais, Do outro lado da linha, pediam detalhes que só a mamãe me dava, o telefone fixo, era com fio. Mas, tudo bem, os bombeiros mesmo assim, vieram, A Cimara e o Ricardo, nossos vizinhos aqui adentraram um pouco antes dos bombeiros chegarem. Ainda tive na UBS Vila Missionária, chamando um médico ou um enfermeiro, eles me disseram que não podiam vir, na época não entendi, mas hoje como conselheira da UBS sei os motivos, mas a mágoa ficou... Hoje restam lembranças. E, o senhor, fora levado ao Hospital Geral de Pedreira. Lembro que comecei a ligar para meu irmão, e esse ligou para o amigo e cunhado Anderson Borba, Liguei ao meu esposo, a minha prima Ângela Maria, e todos chegaram tão rápido aqui, Pois, levemente nas névoas da memória, lembro que eu antes de ir junto com o Anderson ao Hospital Pedreira, abracei a Gê, muito forte. Eu estava com um vestido preto, que gostava de usar em casa, e também uma calcinha preta, lembro ainda estava menstruando naquele dia. Só peguei a documentação, pedi para Angela ver outros trâmites, E, lá foi eu e o Anderson, esse me falando calma Tê, vai dá tudo certo, mas sei que no fundo só seu corpo cá estava... Nas frias dependências do Hospital Pedreira, o frio já se fazia, mas as lágrimas aqueciam... E, quando veio a notícia, nada pude fazer, nem te pedi perdão, nem dá um abraço, nem dizer que o senhor, muitas vezes enchia o saco, mas hoje mais velha, compreendo muito. E, ninguém me tira que o senhor aqui nessa casa, partiu, mas com a conversa do Anderson com os bombeiros, e sei que ele nunca irá me dizer, o registro de óbito foi que o senhor faleceu a caminho do hospital. Pai, o Senhor Deus o chamou no dia Nacional da Poesia,e aniversário do Poeta Castro Alves, pois o senhor meu pai, fora uma poesia para nossa família, mesmo com teus erros, anseios, mesmo com nossas diferenças, e tantas outras crenças. Lembro muito também do dia que o senhor, me chamou quando morávamos na Rua Particular A, 17, no Jardim Ofélia - Balneário Mar Paulista, para ajudar com a pequena criação de galináceos, e o senhor esqueceu a porta aberta, e o Galo-Cão de guarda, me atacou, o senhor ria, e eu furiosa, com duas pequenas criaturinhas em mãos, minha amiga Rita de Cássia, estava lá, também riu, mas me acudiu. Lembro de tantas coisas... Pai, perdão por não ter sido talvez uma boa filha, perdão por muitas vezes na adolescência, não ter dado um abraço. Pai, perdão, pois no início de 2014, conversei com a Alessandra, se a mãe partisse primeiro, eu não sei como iria cuidar de ti, e que talvez o Marcos e ela, encontrariam uma solução. E, eu não entendo esse minha sensibilidade, onde talvez naquela conversa, o Senhor Deus, já me avisa ao contrário, que o senhor, seu Chico, partiria antes da dona Deonilde. Hoje choro, lembro, e relembro que não posso mudar o passado, mas sua memória está viva para seus 5 netos, a lembrança da vó Maria Júlia e vô Emídio Mendes, onde eu me correspondia muito através de cartas, a sua irmã Albertina, minha tia, aliás tia de nós dois, Marcos e eu, a sua cidade em Ancião Avela _ Portugal, e das memórias nas fotos preta e branca, e algumas coloridas, que estão guardadas em casa, e que se um dia um dos netos: Alexia Cristina, Emmanuel, Anna Clara, João Matheus e Júlia Vitória,quiserem ver como eram seus avós, aqui estarão as lembranças. Ah. Pai, lembro de quando o meu irmão nasceu, e sempre dei o nome de Marcos, mas no cartório, o senhor acrescentou o João, fiquei de bico, mas hoje sei que esse nome tem um grande significado, assim como o seu senhor Francisco. Gratidão por amar os meus filhos, em especial o Gabriel, que sei que está junto a ti. Pai, desculpa essas mal traçadas linhas. Descanse em paz. Deus gratidão pelo meu pai, e por tudo que ele mesmo sendo do jeito rude me ensinou. Agradeço, e peço, que o Senhor, me ensine a perdoar a mim mesma por tantas coisas que deixei de viver com meu pai. Agradeço, e a todos aqui citados, que Deus os torne grandes pais, com sabedoria e amor. Gratidão. Escutando na claro tv música, canções de louvor, para finalizar, a canção Minha Calmaria. E este é o final dessa carta poesia. Tua filha Tereza Cristina. São Paulo, 9 de agosto de 2025. 9h42min Ah. esqueci, nesse dia também liguei na Escola Lauro, na qual trabalhava, e falei com a Elaine Cerqueira, minha coordenadora na época, e ela como psicológa, pediu para eu ter calma, e olha pai, que eu e ela nos estranhavámos muitas vezes, mas nesse dia, percebi o quanto Elaine era humana. Agradeço a todos que em seu sepultamento tiveram.... Um lugar único, de natureza que o senhor, e a mamãe amavam.... Lá estão na quadra 16N - 2065 -os restos mortais de três preciosidades em minha vida. Gabriel - filho, gêmeo da Alexia Cristina - *29/12/1998 - +05/11/2001 Francisco - pai - *30/07/1935 - +14/03/2014 Deonilde - mãe - *26/05/1937 - +10/09/2021
Lágrimas
Saudades.....
Deus sabe a hora. Há tempo para nascer e tempo para morrer....
Louvor: Então é só clamar! Tereza Cristina Gonçalves Mendes Castro
Enviado por Tereza Cristina Gonçalves Mendes Castro em 09/08/2025
Alterado em 09/08/2025 Copyright © 2025. Todos os direitos reservados. Você não pode copiar, exibir, distribuir, executar, criar obras derivadas nem fazer uso comercial desta obra sem a devida permissão do autor. Comentários
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